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1385 – A população de Sintra adere à causa do Mestre de Avis

efemeride-tritao-1385A crise de 1383-1385, originada no decurso de um procedimento de sucessão régia, traduz-se num período de grande instabilidade política, social e militar, durante o qual Portugal lutou pela sua independência.

 

Com a morte de D. Fernando em 1383, a dinastia de Borgonha chega ao seu término. D. Leonor Teles de Menezes, enquanto regente em nome da filha, D. Beatriz, casada com D. João de Castela, vem despoletar o descontentamento dos portugueses que temem perder a independência, perante o qual D. João I, Mestre de Avis, se declara rei de Portugal, sendo aclamado nas Cortes de Coimbra, em 6 de Abril de 1385.

 

D. João de Castela não desiste de conquistar um novo reino e invade Portugal, no entanto, a vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota (ocorrida a 14 de Agosto de 1385, após as vitórias obtidas em Atoleiros e Trancoso) foi decisiva para a retirada das tropas de Castela, cujo rei, anos mais tarde, reconhece D. João I, Mestre de Avis, como monarca de Portugal. O fim do Cerco de Lisboa foi igualmente determinante na reposição da continuação régia portuguesa. D. João I torna-se no primeiro rei de Portugal da Dinastia de Avis em 1385, preludiando a unificação interna do País.

 

Após o levantamento do Cerco de Lisboa (que ocorreu a 3 de Setembro de 1384), D. João I decide tomar posse das localidades dos arredores da cidade, deslocando-se a Sintra no dia 24 de Outubro desse mesmo ano, no entanto, uma forte tempestade se fez sentir no trajeto, não lhe permitindo concretizar os seus intentos.

 

 

Fernão Lopes, na Crónica de El-Rei D. João I, relata o acontecimento do seguinte: “E indo eles pelo caminho … ficou o ar de tal modo coberto de negridão chuvosa …. Os montes começaram a lavrar-se com multidão de grossas chuvas, … dos pobres regatos … se faziam tão grandes ribeiros que assustavam a quem quisesse passá-los, … parecia que nasciam no céu novas maneiras de chuvas para subverter o Mundo outra vez, com mortal dilúvio. … e os homens começaram a dispersar-se e perder-se uns dos outros… o Mestre chegou ao outro dia à tarde desacompanhado dos homens com que partira, …” (In: Rocha, João Gabriel, Sintra na Crónica de El-Rei D. João I: Dois relatos de Fernão Lopes, Vária Escrita nº 5, Câmara Municipal de Sintra, 1998).

 

 

Sintra adere à causa do Mestre de Avis, sem rendição e sem luta.

 

 

No dia 6 de Setembro de 1385, num documento pergamináceo, emitido em Santarém, D. João I “integra Sintra no termo de Lisboa, como recompensa pela posição da cidade face aos acontecimentos político-militares de 1383-1385” (AML-AH, Chancelaria Régia, Livro 1º de D. João I, doc. 7).

 

D. João I (1357 – 1433), para além de se deleitar a caçar em Sintra, faz desta Vila a sua residência oficial e efetua grandes obras de remodelação no Paço Real, tornando-o num lugar principal de veraneio da corte portuguesa que regressou à Casa das Rainhas.