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Tritão nº 1 . 2012

A arquitectura chã antes e depois de George Kubler

Nuno Senos *

Até à publicação do livro de George Kubler, Portuguese Plain Architecture, de 1972 (edição portuguesa de 1988), a produção arquitectónica nacional levantada entre os reinados de D. Manuel e D. João V, carecia de um aparato conceptual que permitisse a sua integração numa narrativa historiográfica coerente. Neste artigo discute-se o conceito de “arquitectura chã” proposto por Kubler e a sua pertinência actual.

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Breve sinopse da colecção municipal de arte de Sintra

Luís Cardoso *

O município de Sintra possui uma colecção de arte, herdeira de vários projectos e esboços museológicos que se estendem por um percurso temporal de cerca de sete décadas. Trata-se de um conjunto de peças que mereceu por parte da autarquia um minucioso esforço de inventariação desde 2004. Este texto é resultado de algumas notas do processo deste mesmo inventário, pretendendo sobretudo ser um primeiro patamar de acesso à colecção, a qual necessitará de mais estudos e, sobretudo, novos olhares.

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Cena Mitológica do Julgamento do Rei Midas: História e origem do painel brutesco em baixo relevo do Paço senhorial de Belas

Rui Rodrigues *, João Casa * e Rui Oliveira *

Este artigo reporta-se ao painel maneirista em baixo relevo do Paço senhorial da Vila de Belas, actualmente muito degradado, quase em completa ruína, e cuja colocação marcou, em conjunto com outras obras no edifício, a chegada da família Castelo Branco à sua posse e posteriormente ao Morgadio de Belas, em meados do século XVII.

Este baixo relevo fora reproduzido a partir de uma gravura da autoria do gravador e pintor maneirista holandês Hendrik Goltzyus, que recriou a conhecida lenda clássica da disputa musical entre Apolo e Mársias, correntemente conhecida como Julgamento do Rei Midas.

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D. Isabel Henriques, marquesa de Montemor-o-Novo, mecenas de Francisco Niculoso Pisano

Rui André Alves Trindade *

O papel desempenhado pela nobre portuguesa, D. Isabel Henriques, marquesa de Montemor-o-Novo, na contratação de Francisco Niculoso Pisano tem sido eclipsado pela historiografia. Uma das perspectivas mais interessantes desta relação entre a encomendante e o artista, teve por principal consequência a projecção do ceramista na cidade de Sevilha e marca igualmente a novidade na produção cerâmica daquela cidade com a utilização de repertórios estéticos renascentistas, executados dentro dos procedimentos da majólica, em detrimento dos então utilizados, de raiz hispano muçulmana.   

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Das assembleias dos homens-bons no Chão da Oliva aos paços do concelho de Adães Bermudes – Um olhar sobre quinhentos anos de arquitectura concelhia em Sintra

Carlos Caetano *

Os actuais paços do concelho de Sintra, construídos numa linguagem cosmopolita, eclética e historicista, de gosto neo-manuelino, foram inaugurados em 1909 e devem-se a Adães Bermudes (1864-1948). O grande arquitecto português projectou então (1905), a par do paços do concelho, a cadeia civil e o matadouro municipal de Sintra, edifícios igualmente notáveis e que suscitam a consideração dos equipamentos e edifícios que integravam o tão importante quanto desconhecido corpus da velha arquitectura concelhia portuguesa. Esta tinha no seu centro, naturalmente, o próprio edifício que acolhia a instituição concelhia, os paços do concelho ou seja, a casa da câmara, tal como o edifício seria conhecido na Era Moderna.

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Os mensageiros do Céu: imagem e texto no tecto da capela do Palácio de Queluz

Vítor dos Reis *

Enquadrando a pintura do tecto da Capela do Palácio Nacional de Queluz na história das grandes máquinas celestiais pintadas ao longo do século XVIII, o presente artigo analisa esta obra, em termos plásticos e simbólicos, enquanto componente indissociável do programa visual global da Capela e exemplo significativo do projecto de persuasão, propaganda e maravilha visual do Barroco. Com base em indícios visuais e documentais, é proposta a autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho (1729-1810) e a data de c.1789-91.

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O que é um jardineiro? Nomes, privilégios e funções de hortelãos e jardineiros na Idade Moderna em Portugal

Ana Duarte Rodrigues *

O principal objectivo deste artigo é definir o que fora um jardineiro durante a Idade Moderna em Portugal, comparando o seu estatuto com outras realidades do Mundo Oriental e Ocidental. Para além disso, a investigação realizada até agora tornou possível dar uma lista actualizada dos jardineiros identificados por Sousa Viterbo (1906).

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O Órgão da Igreja de São Martinho de Sintra

Mafalda Brito *

O órgão é o instrumento musical mais complexo que existe tendo sido utilizado em contextos muito diversificados, como o acompanhamento de celebrações litúrgicas, cenas operáticas na própria igreja, combinado com a orquestra ou em cerimónias de corte. Uma das características que distingue este instrumento é o facto de cada exemplar ser uma peça única. O órgão da igreja de São Martinho de Sintra apresenta um importante valor histórico e artístico, sendo um exemplar raro da organaria portuguesa do século XVIII, da autoria de um relevante mestre organeiro português, Joaquim António Peres Fontanes, responsável pela construção de inúmeros outros exemplares no nosso país.

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Palácio de Seteais. Na vanguarda do Romantismo.

Jorge Batista *

O cônsul Daniel Gildemeester inaugurou no dia 25 de Julho de 1787 um palácio localizado junto ao público campo de Seteais, em Sintra. O Palácio de Gildemeester adoptaria o nome de palácio de Seteais em virtude do topónimo em que se encontra implantado. Projectado pelo arquitecto inglês William Elsden, a primitiva estrutura seria alvo de uma importante campanha terminada em 1802, patrocinada pelo 5.º marquês de Marialva, D. Diogo Vito de Menezes, com risco do arquitecto português José da Costa e Silva, que a aumentou e transformou num majestoso palácio que o tempo conservou até aos nossos dias. Ao longo de mais de dois séculos o palácio de Seteais conheceu vários proprietários e encantou gerações de sintrenses e estrangeiros, que se deslocavam a Sintra para veranear ou a pretexto do Grand Tour Continental.

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O Lugar da Quinta de Recreio na Periferia de Lisboa

Amílcar Pires *

Este artigo trata a relação da arquitectura da Quinta de Recreio da periferia de Lisboa com o Lugar em que está inserida, fazendo-se a interpretação de alguns exemplos estudados a partir das propriedades elementares do espaço existencial e arquitectónico teorizado por C. Norberg-Schulz em "Existencia, Espacio y Arquitectura" 1-"centros" ou "lugares"; "direcções" ou "caminhos" e "áreas" ou "regiões".

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Sintra Ex Arte - Renascimento, Maneirismo e Estilo-Chão

Maria Teresa Caetano *

Neste texto, pretende-se intentar, ainda que em linhas gerais, uma renovada síntese do surto construtivo que marcou os séculos XVI e XVII, em Sintra. Por conseguinte, abarca, ao longo de cerca de duzentos, os principais "modelos" arquitectónicos do Renascimento, do Maneirismo e do Estilo Chão que modelaram o facies sintrense. Não se trata ex arte apenas do carreamento informativo, mas coloca-se também a hipótese, apesar da inexistência de fortuna crítica, de Diogo Castilho ter sido igualmente o autor do projecto da loggia da casa da Quinta dos Pisões, através do paralelismo gramatical existente entre este espaço e a arquitectura do claustro do mosteiro da Penha Longa.

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