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Cabo da Roca

O Cabo da Roca, entre a lenda e a História recheada de histórias, com a sua imponente fachada batida pelo mar sempre revolto nos seus torvelhinhos de água salgada que, ao longo do tempo, lhe têm moldado o prospecto, assoma-se, no alto dos seus 150 m de altura, como um gigantesco e inacabado bestiário de rochas calcárias e margas que se formaram há milhões de anos pela intrusão magmática que forjou a mítica Serra de Sintra.promontoriodaroca

Ofiússa, ou promontorium Magnum, ou focinho da Roca... mas também a finisterra do mundo antigo, o “abismo sem fim” ou o lugar “onde a terra acaba e o mar começa”, na poética camoneana... ou, ainda, “o mais belo adeus da Europa quando enfim encontra o mar”, na prosa de Vergílio Ferreira, destaca-se, também, pelo seu posicionamento geográfico 38o46’49,97’’ Norte e 9o29’54,98’’ Oeste (www.google.pt/google.earth). Ou seja, o último ocaso solar do continente europeu.

Águia de Bonelli
Bufo-real
Arméria peudoarméria
Falcão peregrino
Peneireiro
Cravina brava
Corvo marinho

Neste lugar de contínuo reboar e de atmosfera marejada de espuma e de densas neblinas, desenvolveu-se peculiar biodiversidade, adaptada ao clima rude e aos “glacis” que se sobrepõem em mais ou menos alterosos declives. A flora rasa de flores miúdas que abundam no Cabo da Roca e, apesar predomínio do vento norte que incansavelmente varre o lugar, teimam em resistir, foram, em 1661, alvo do olhar crítico e “proto-científico” de Gabriel Grisley que deu à estampa o Viridarium Lusitanum. Nesta obra, o autor identificou, pela primeira primeira vez, a especifícidade única da Armeria pseudoarmeria, vulgo, cravo romano, como um endemismo caracteristicamente rocense. Este clima particular condicionou o aparecimento de espécies, de sub-espécies e de outros endemismos, tais como, o cravo da índia, o miosótis-das-praias, a raíz-divina, a cravina brava (Dianthus cintranus ssp. cintranus), a Thapsia maxima, trovisco fêmea (Daphne gnidium), tocho gatunho (Ulex densus), e a Arotheca calendula que originária da Província do Cabo (África do Sul), é relativamente frequente na Roca. Para além destes exemplares florísticos por ali vicejam outros que são comuns à fachada litoral, desde Oitavos até à foz do Falcão, que se integram e estão protegidas, ao abrigo da legislação que rege o Parque Natural de Sintra-Cascais.

De igual modo, se encontra protegida a avifauna – ainda que algumas espécies rareiem hoje – pode-se encontrar ainda nos limites do Cabo da Roca aves como o falcão peregrino (Falco peregrinus), a águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus) e o bufo-real (Bubo-bubo). Para além destas aves destacam-se outras, tais como a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o peneireiro comum (Falco tinnunculus), coruja do mato (Stix aluco), a coruja-das-torres (Tyto alba), e a perdiz vermelha. Por outro lado refira-se que da avifauna marinha – igualmente protegida – destacam-se as seguintes espécies: ganso-patola (Morus bassanus) e corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis).

No que concerne aos mamíferos, actualmente, abundam apenas os coelhos bravos, rareando já as raposas (Vulpes vulpes), as doninhas (Mustela nivalis) e as genetas (Genetta genetta). O lobo e a lebre encontram-se já extintas.

Localização


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