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Forte de Santa Maria, Magoito

Freguesia de São João das Lampas

Praia do Magoito

 fortedomagoito

Imediatamente a norte da vasta língua de areia fina e doirada da pinturesca Praia de Magoito, confundindo-se com a pedra escura da arriba – e sobranceira a ela própria – abre-se à imensidão oceânica o Forte de Santa Maria, muito provavelmente, edificado nos finais do reinado de D. João IV ou durante a regência de D. Pedro II. Mas, seja como for, esta bataria onde permanecia uma pequena guarnição militar, surge já referenciada na Chorographia Portugueza, de 1712, e, em articulação com uma série de outras fortificações similares, integrava o sistema defensivo da costa.

A vivência quotidiana desta fortaleza esteve, porém, intimamente ligada às gentes da vizinha aldeia de Magoito, uma vez que tinham privilégio – como se refere ns Memórias Paroquiais – para: «(...) naó fazerem nesta freguezia soldados pello trabalho q tem os moradores della en estarem de vegia ao mar». Com o terramoto de 1 de Novembro de 1755, o Forte de Santa Maria padeceu grande ruína e, três anos volvidos, as mesmas Memórias Paroquiais referem que as paredes ainda permaneciam caídas. No relatório da revista de inspecção às fortalezas compreendidas entre a Berlenga e Peniche, até Paço d’Arcos, em 1796, anotou-se a propósito do Forte de Santa Maria:

«Este Forte dista duas legoas da Ericeira, hé de figura Pentagonial (...); está sufeciente para conserto, por não ter parede alguma demolida; a sua despeza puderá importar em 200$ reis por ficar distante de Povoaçõens (...). Tem 9 Peças de ferro de calibre 12, das quaes se limpar podera servir A sua guarnição [completa é de] hum Cabo 10 Soldados, e 2 Artilheiros; e tem no prezente 2 soldados, e 2 Artilheiros» (Arquivo Histórico Militar, 3.ª Divisão, 9.ª Secção, n.º J9, cx. 32).

As modificações estruturais entretanto introduzidas no próprio devir histórico oitocentista, tais como a erradicação definitiva da pirataria e a cessação das guerras com o vizinho reino ditaram, contudo, a progressiva decadência das fortalezas que protegiam esta costa e, num sentido mais lato, a entrada da Barra de Lisboa. A partir de então, votadas ao abandono, muitas das batarias que bordejavam o litoral lisboeta foram-se arruinando e algumas – como o Forte da Vigia, na Praia das Maçãs – desapareceram completamente. Terá sido, pois, neste contexto, que o relatório redigido em 19 de Junho de 1831 pelo capitão do Regimento de Artilharia de Elvas, Matias Pinto, a mando da Junta do Comando Geral da Artilharia do Reino, salientou que a bateria:

«(...) tem o seo solo de lagedo em bom estado, cercado de hum parapeito de 2 pes e 2 polegadas de altura para a Artilharia jogar á barba; cujo parapeito se acha arruinado e ametade demolido precizando ser feito de novo. Existem na (...) Bateria 9 peças, seis de calibre 12 e trez de calibre 18, as quaes se achão complletamente incapazes de todo o serviço não só pelo seo estado de oxidação mas por que nenhuma dellas tem munhões» (Arquivo Histórico Militar, 3.ª Divisão, 9.ª Secção, n.º B1, cx. 36).

O Forte de Santa Maria, todavia, acabaria por ser reabilitado, já não num contexto defensivo, mas sim como um ponto de vigia e controlo marítimo. Neste âmbito, em pleno Estado Novo, procedeu-se à recuperação da cintura muralhada e construiu-se um edifício onde se instalou um sistema de radar que, hoje, é da responsabilidade da Brigada Fiscal da Guarda Nacional Republicana.