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O Sitio de Santa Eufémia da Serra

staeufemiaA Ermida de Santa Eufémia da Serra é um templo, provavelmente, de origem românica, encontrando-se já referenciada na divisão paroquial de 1253 (treslado do lemitte, e demarcação das igrejas da Villa de Cintra). Em termos geográficos, localiza-se na União das Freguesias de Sintra.

Atualmente, a Ermida apresenta-se bastante descaracterizada devido à substancial campanha de obras patrocinada por um devoto estrangeiro no início do último quartel do século XIX, conforme lápide aposta na frontaria – HUM DEVOTO ESTRANGEIRO / MANDOU REEDIFICAR / ESTA CAPELLA / EM 1876.

Esta Ermida surge associada a um complexo termal bastante antigo que lhe fica muito próximo. Já o cruzado Osberno referia aqui a existência de uma fonte de águas com singulares qualidades terapêuticas. A este propósito, escreveu ele: “uma fonte puríssima, cujas águas, a quem as bebe, dizem, abrandam a tosse e a tísica; por isso quando os naturais dali ouvem tossir alguém, logo depreendem que é um estranho”. É muito provável que a estrutura termal e o templo tenham sido construídos sobre ruínas romanas. Em escavações arqueológicas recentes, foram ali encontrados artefactos da idade do ferro e do bronze para além de dois fustes de colunas (atualmente no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas) que terão pertencido a um templo romano de alguma dimensão.

A fonte da estrutura termal implantava-se na vertente norte do monte, em local próximo da Ermida. Sobre a nascente e o edifício envolvente escreveu Félix Alves Pereira: “é um pequeno recinto quadrado, aberto pelo lado do caminho e limitado, nos outros três lados, por paredes de suporte das terras superiores. Prende primeiro a curiosidade do visitante a parede traseira, por ser coroada por uma singelíssima cruz de pedra [hoje quebrada] e ter embebidas duas lapidezinhas rectangulares (…).

 

Na base da parede que contêm estas pedras, vulgar biqueira dá saída a um fio de água de mina (…). Modesta pia recolhe a água, que depois se perde no solo. Na parede do lado direito há uma porta de serventia de um cubículo destinado ao banho dos enfermos. Entretanto vê-se que tem planta rectangular (2,80m por 2m) e é abobadada; ao lado direito do assento de alvenaria, e, ao esquerdo, a piscina, ao nível do chão; é de paredes de pedra, e mede em planta 1,40m por 0,83m; de profundidade 0,42m”.

As casas das termas, de que existem apenas no local vestígios, terão sido mandadas edificar pelo Capitão Francisco Lopes de Azevedo no ano de 1738 (segundo inscrição embutida na fachada principal). Segundo uma outra lápide datada de 1758, a fonte pertence inequivocamente à Ermida. Encontramos, ainda, outras epígrafes que atestam a importância e a popularidade destes banhos e as obras de restauro de que os edifícios foram alvo.

Segundo o Prior da Paróquia de São Pedro Penaferrim, António de Sousa Seixas, na respetiva Memória Paroquial, de 6 de Abril de 1758, assinala-se a existência de uma romaria devota com um círio anual de peregrinos de Lisboa a este santuário taumatúrgico, além de uma pedra encostada a Norte com a marca de uma pegada da mártir padroeira, bem como uma fonte ligeiramente afastada em cujas águas se banhavam os enfermos. Adicionalmente, refere-se ser esta Ermida administrada pelos Priores de São Pedro de Penaferrim, apresentando um ermitão, que aí residia com quatro pessoas em casas adjacentes.

A Ermida apresenta uma planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor retangular. Volumetricamente ostenta uma forma paralelepipédica, reforçada por quatro contrafortes. Possui uma cobertura de duas águas com duplo beiral. As fachadas estão rebocadas e pintadas de branco. A fachada principal está virada a Este, em empena, ostentando uma cruz sobre o acrotério. O portal apresenta uma entrada rectangular, emoldurada por cantaria, sendo encimado por uma pequena janela com moldura de cantaria. O interior é composto por uma nave única com abóbada de berço de madeira. Ostenta dois altares de talha dourada e pintada.

Contiguamente à capela-mor, encontra-se a antiga casa dos romeiros, de planta retangular, de um só piso e com cobertura de uma água. A estrutura termal apresenta uma planta trapezoidal. A partir de uma das extremidades de topo abre-se um nicho, que abriga a fonte termal, encimado por uma cruz pétrea. No recinto, podemos encontrar, ainda, a base poligonal da tribuna e dos coretos.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 2002.